Doença de Crohn
A Doença de Crohn é uma
doença inflamatória muito séria do trato gastrointestinal. O Crohn afeta a
parte inferior do intestino delgado (íleo) e intestino grosso (cólon), mas pode
afetar qualquer parte do trato gastrointestinal.
A
Doença de Crohn é crônica e provavelmente provocada por desregulação do sistema
imunológico, ou seja, do sistema de defesa do organismo. A Doença de Crohn
inicia-se mais frequentemente na segunda e terceira décadas de vida, mas pode
afetar qualquer faixa etária.
Como a
Doença de Crohn se comporta como a colite ulcerativa (em geral, é difícil
diferenciar uma da outra), as duas doenças são agrupadas na categoria de
Doenças Inflamatórias Intestinais (DII).
Diferentemente
da Doença de Crohn, em que todas as camadas estão envolvidas e na qual pode
haver segmentos de intestino saudável normal entre os segmentos do intestino
doente, a colite ulcerativa afeta apenas a camada mais superficial (mucosa) do
cólon de modo contínuo.
Dependendo
da região afetada, a Doença de Crohn pode ser chamada de ileite, enterite
regional ou colite. Para reduzir a confusão, o termo Doença de Crohn pode ser
usado, para identificar a doença, qualquer que seja a região do corpo afetada
(íleo, cólon, reto, ânus, estômago, duodeno).
Quais
os sintomas da doença de Crohn?
Devido ao facto da doença de Crohn
poder afectar qualquer parte do intestino, os sintomas podem variar muito de
doente para doente. Os sintomas mais comuns incluem a dor ou cólica abdominal,
diarreia, febre, emagrecimento e distensão abdominal. Nem todos os doentes
apresentam estes sintomas, alguns podendo mesmo nunca os manifestar. Outra
sintomatologia pode incluir dor ou escorrência anal, lesões cutâneas, abcessos ano-rectais, fissuras e
dor articular (artrite).
Quem
é afectado?
Sendo certo que qualquer grupo etário
pode ser atingido, a doença afecta principalmente adultos jovens entre os 16 e
os 40 anos de idade. Afecta homens e mulheres em igual proporção, parecendo ser
mais comum em algumas famílias. Cerca de 20% de pacientes com Crohn têm um
familiar, mais frequentemente um irmão ou irmã, algumas vezes um Pai/Mãe ou
filho, com alguma forma de doença inflamatória do intestino. Em Portugal, nos
últimos anos, tem-se assistido a uma incidência crescente da doença. A doença
de Crohn e uma patologia similar chamada colite ulcerosa são,
habitualmente, agrupadas como doença inflamatória do intestino.
O
que causa a doença de Crohn?
A etiologia exacta é desconhecida. Hoje
em dia pensa-se ser devida a uma causa imunológica e/ou bacteriana. A doença de
Crohn não é contagiosa, tendo uma ligeira tendência genética (hereditária).
Como
é tratada a doença de Crohn?
O tratamento inicial é quase sempre
médico. Não existe «cura» para a doença de Crohn, mas a terapêutica médica com
o recurso a um ou mais medicamentos proporciona uma forma de a tratar,
aliviando os seus sintomas. Em situações mais avançadas ou complicadas, a
cirurgia pode ser recomendada. Quando ocorrem complicações como perfuração ou
obstrução intestinal, hemorragia significativa, a cirurgia urgente pode algumas
vezes ser necessária. Outras indicações menos urgentes para a cirurgia incluem
a formação de abcessos, fístulas,
atingimento ano-rectal severo ou persistência da doença apesar de tratamento
médico correctamente efectuado (intractibilidade médica). Nem todos os doentes
com estas ou outras complicações necessitarão de ser operados, devendo a
decisão ser tomada conjuntamente pelo seu gastroenterologista e cirurgião
colo-rectal.
Deverá
a cirurgia se evitada a todo o custo?
Apesar de ser verdade que a terapêutica
médica constitui a 1ª linha de tratamento, é importante ter presente que a
cirurgia pode eventualmente vir a ser necessária em cerca de ¾ dos doentes.
Muitos pacientes podem sofrer desnecessariamente devido a um receio errado de
que a intervenção cirúrgica é perigosa ou conduzirá inevitavelmente a
complicações. Embora a cirurgia não seja «curativa», muitos doentes nunca
precisarão de voltar a ser operados. Hoje em dia a cirurgia baseia-se numa opção
conservadora, através de uma ressecção limitada ou plastia do segmento
intestinal doente, preservando-se o máximo de intestino possível. A cirurgia
proporciona frequentemente um efectivo alívio a longo-prazo da sintomatologia,
muitas vezes eliminando ou reduzindo a necessidade de manter a terapêutica
medicamentosa.
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